terça-feira, 20 de outubro de 2015

EM MEMÓRIA DE ELEFANTE MORTO POR "ANIMAL"

      
Caçador alemão comemora a morte do maior elefante já visto na África nos últimos 30 anos

       Nada é mais simbólico da vida selvagem do que ver ao vivo ou pela TV uma manada de elefantes, migrando em família em busca de alimento e água. E não é que um cretino, um caçador alemão, abateu a tiros no Zimbábue um dos maiores elefantes já vistos, reavivando a polêmica sobre a caça de grandes animais aberta meses atrás devido à morte do leão mais famoso do país, Cecil, pelas mãos de um dentista americano. Segundo o jornal “The Telegraph”, o turista teria pago R$ 230 mil pela autorização para matar um elefante. "As presas do elefante eram tão grandes, com um peso de 55 kg, que ele precisava arrastá-las pelo chão quando caminhava”, disse Johnny Rodrigues, membro do Grupo de Trabalho de Conservação do Zimbábue. O especialista considera que as presas do elefante, morto no último dia 8 de outubro em uma caçada supostamente legal, são as maiores já vistas na região.

       [R$ 230 mil para matar um elefante. Que estupidez. Não há justificativa para a "caça esportiva". É falso o argumento de que caçar animais é uma atividade que está no sangue do homem desde os primeiros tempos. Caçar só tinha sentido quando era uma questão de sobrevivência, quando não havia agricultura de massa e produção excedente de alimentos, inclusive de carnes. Matar um animal hoje só tem algum sentido, se for em defesa de sua própria vida. Qual a motivo, então: combater a ejaculação precoce?]

       O elefante, com idade entre 40 e 60 anos, foi morto perto do Parque Nacional Gonarezhou por um grupo de safári comandado por um caçador alemão, segundo conservacionistas da reserva, que fica no sudeste do país, bem perto da fronteira com a África do Sul. O elefante morreu na reserva de caça de Malapati, o que significa que estava fora do parque nacional e, portanto, sua caça era legal, segundo Rodrigues. "Não sabemos se o elefante vivia no Parque Nacional Kruger (África do Sul) ou no Zimbábue, mas podemos garantir que o animal estava na zona de safári quando foi abatido”, disse o conservacionista. Elefantes machos são mais solitários. As fêmeas sempre andam em grupos. 
No caso do leão Cecil, caçado nos arredores do Parque Nacional de Hwange, no nordeste do Zimbábue, o animal “foi atraído [com uma isca de carne] para fora do parque para ser caçado”. “Desta vez não há nenhum indício de que tenha acontecido o mesmo com o elefante”, disse Rodrigues.

       [Suspeito que esse conservacionista esteja no bolso do alemão. Como ele pode garantir alguma coisa se ele não estava no local no instante da covardia? Como pode saber se não houve mesmo alguma espécie de truque para atraí-lo e abatê-lo?]

       A morte do leão Cecil abriu um inflamado debate sobre a caça legal praticada em diversos países africanos. O animal, de 13 anos, foi atraído para fora da área protegida com uma isca que consistia em uma presa amarrada a um veículo. Por ter saído do parque, tecnicamente seu abate não foi ilegal. Depois da morte do famoso leão, o governo do Zimbábue proibiu a caça de grandes animais, com exceção de algumas áreas de caça como a que fica ao sul do Parque Natural de Hwange. Nas últimas três semanas, 40 elefantes foram envenenados com cianureto nos arredores de Hwange e do lago Kariba. Para não serem denunciados pelos tiros, as máfias de caçadores usam atualmente flechas envenenadas para abatê-los e pegar as presas, que são vendidas na China, o maior mercado consumidor de marfim.

         A Declaração de Londres, contra o tráfico de marfim, já foi assinada por mais de 40 países, e a China se comprometeu em maio último a impedir com mais rigor essa atividade. Na lista dos principais matadores de elefantes do mundo está o queniano Feisal Mohamed Ali, que opera a partir da Tanzânia. Ele é procurado pela Interpol, segundo o jornal "El País". Se extintos, em décadas no ritmo atual da matança, com eles desaparecerão outros animais e plantas, por desequilíbrio de ecossistemas, porque eles funcionam como "jardineiros florestais"

QUEM VIU DOCUMENTÁRIOS SOBRE ELEFANTES SABE QUE...


Extermínio -- A cada dia, 96 elefantes são assassinados só na África, segundo a Wild Conservation Society. Ou um elefante a cada 15 minutos. Já foram dizimados em Burundi, Gâmbia, Mauritânia, Java e em grande parte da China. Na Tanzânia, a população de 110 mil elefantes em 2009 caiu para 43 mil em 2015. Estima-se que das duas espécies africanas, da selva e da savana, restam apenas cerca de 500 mil elefantes. Eles já foram 5 milhões vagando pela África no início do século passado. O elefante asiático, menor e mais domesticável, caiu de 100 mil para cerca de 50 mil. Os elefantes ocupam hoje 15% do território que tiveram no passado.  O fim da espécie pode significar a perda milhões de dólares em turismo para a África.

Delicadeza -- Fortes, eles são capazes de levantar com a tromba cargas pesadas. Mas também são capazes de pegar uma fruta sem danificá-la. Deixados em paz, sem sentirem-se ameaçados [individualmente, em grupo ou algum de seus filhotes], não são agressivos.


                                  

Quase humanos --  Cada elefante constrói sua personalidade ao longo das experiências tidas durante sua vida, e parte de seu conhecimento é transmitido pela fêmea. Sua longevidade é semelhante à humana, em média até os 70 anos. E como os humanos [ou desumanos?] têm consciência da morte e senso de solidariedade. Cuidam dos doentes e quando um deles morre, adulto ou filhote, velam por vários dias. Para impedir que outros animais o devorem. E depois o enterram, jogando terra e folhas sobre o corpo já em decomposição. Gregário, como os humanos, gostam de viver em grupos [de até 70 animais], e caminham em fila com os adultos à frente e atrás para proteger os filhotes.

Memória de elefante -- Os elefantes sempre se lembram por onde passaram, são muito inteligentes, têm capacidade de entender, aprender e imitar. Comunicam-se também em uma frequência que os humanos não conseguem escutar.

Sensibilidade aguda -- A revista“The Economist” revelou em julho que o Exército dos EUA mantém pesquisa sobre os elefantes, porque cientistas descobriram que eles não só sabem detectar e evitar campos minados como, solidários, alertam outros elefantes quando há minas enterradas por perto. 

[se gostou, compartilhe ou dê "share"]

O HOMEM QUE UNE PALESTINOS E JUDEUS

Marcos Gorinstein em aula de jiu-jitsu para crianças palestinas e judias: formando a geração da paz

            Vi na TV um documentário sobre o brasileiro Marcos Gorinstein, que virou professor de jiu-jitsu no Oriente Médio, em um colégio em que palestinos e israelenses [como ele, mas nascido no Rio de Janeiro] estudam. Sim, juntos. No filme que assisti no último final de semana, ele afirma que o projeto de dar aulas dessa luta marcial para jovens começou quando viu uma escola com o seguinte cartaz: "Nos recusamos a ser inimigos". Lá estudam judeus, árabes, armênios. Muçulmanos e cristãos. E Marcos diz que viu ali "uma oportunidade", "aqui posso dar minha contribuição" e passou a dar aulas para crianças de 5 a 14 anos.

            No documentário, ele afirma: "A primeira coisa que vem à cabeça de um palestino quando vê um israelense: ele deve ser soldado ou colono. E a primeira coisa que um israelense pensa ao ver um palestino:  ele deve ser um terrorista". Ou seja, só quando os dois lados se conhecerem melhor pelo convívio, aprenderem as duas línguas na mesma escola e juntos entenderem as dificuldades e a história de cada um, haverá chance para a convivência pacífica, sem extremismos e preconceitos. O contato físico que jiu-jitsu proporciona -- além de formar crianças pela disciplina, pelo respeito ao outro e não pela violência [na origem, o verdadeiro jiu-jitsu não eleva o espírito "pitbull" que se espalha por aí, nas ruas ou na TV, nos MMAs e vale-tudo da vida] -- acaba aproximando e permite que, aos poucos, possa ser formada uma "geração da paz". 

            Aos 35 anos, Marcos revela em seus artigos na Facebook que já montou uma turma de jiu-jitsu com palestinos em Hebron e em Beit Jalla, nos arredores de Belém. Em Jerusalém, trabalha com crianças israelenses. No documentário, ele também conta que já foi alvo de críticas dos dois lados, que já levou pedrada no carro etc. Mas não desiste: acredita que o convívio em escolas, de filhos e pais, fará a diferença no futuro. É um trabalho de formiguinha, que ele agora sonha mostrar em um filme em 2016. Quem sabe assim, a formiguinha não "contamina" mais gente. E assim surjam milhares de formiguinhas.

           [se gostou, compartilhe ou dê "share"]

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

HORÁRIO DE VERÃO: A MENTIRA DA HORA


  

        Uma mentira contada mil vezes vira verdade. A frase é de Joseph Goebbels, que foi ministro da Propaganda de Adolf Hitler na Alemanha nazista. Por isso, livros foram queimados, instituições educacionais controladas e meios de comunicação fechados e reabertos "sob nova direção". Ah, sim, antes mesmo da 2ª Grande Guerra, pessoas também foram queimadas. Por que utilizo aqui a máxima de Goebbels? Porque milhões de brasileiros, moradores das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, terão de adiantar o relógio em uma hora para atender o tal "horário de verão", à 0h do próximo domingo [dia 18]. Agora, pergunto, por que será que todo ano, a notícia sobre o início do "horário de verão" vem sempre acompanhada de mil e uma explicações sobre a economia de 0,5%. Tipo "isso equivale, em todo o período, a aproximadamente o consumo mensal de energia de Brasília, com 2,8 milhões de habitantes". O que significa isso em termos de economia? Nada, absolutamente nada.
       
         Nada, não! Significa para uma imensa maioria de trabalhadores a perda de uma hora de sono -- pior, daquele sono restaurador. Antes da imposição do horário de verão, as pessoas obedeciam a posição do sol, para acordar, almoçar e dormir. A longo prazo, o horário de verão pode causar distúrbios crônicos. Já tive problemas maiores de adaptação. Não via a hora de acabar. Porque horário de verão só é bom para quem não acorda cedo e não sai muito tarde do trabalho -- ou seja, para quem tem horário flexível ou faz a sua própria jornada de trabalho. Hoje sofro bem menos. Ele funciona muito bem em latitudes altas, como nos 46º de Washington. No Brasil, que não tem latitudes muito altas, essa energia elétrica que se ganha de tarde/noite, o chamado horário de pico. é perdida de manhã. A meta de economia de 5% no consumo jamais foi alcançada. Pela última contagem no ano passado a economia foi de 0,7%, porque o gasto de manhã aumentou.
        
         Qualquer observador percebe que muitos edifícios de escritórios, para reduzir custos, não apagam jamais suas lâmpadas brancas, dia e noite. O acende-apaga diminui a vida útil delas e aumenta custos. Assim como em uma indústria de aço os fornos jamais são desligados, demorariam muito para ficar reaquecidos, a um custo enorme, além de outros riscos técnicos. Uma campanha de conscientização persistente, com incentivos financeiros na conta, teria efeito muito maior. Assim como incentivos a construção de prédios inteligentes, com aproveitamento da luz solar, traria economias maiores e permanentes.
 
         O horário de verão acabará à 0h do dia 21 de fevereiro de 2016, quando os relógios deverão ser atrasados em uma hora. Espero que acabe para sempre, porque no caso horário de verão não se trata de uma questão de gosto, e sim de saúde ampla, geral e irrestrita.






O RESUMO DA ÓPERA - SEMPRE ÀS QUINTAS

UMA LEITURA SEMANAL DOS JORNAIS -- N3 - 15/10/2015


POR GEORGE ALONSO

Lula: nora do ex-presidente acusada sem provas

NO PAÍS DE JOAQUIM SILVÉRIO DOS REIS

        No Brasil, do jeito que está, só falta criar a Delatoria Pública. Delator não vai faltar! Mas algo vai  mal em qualquer país que precise e faça uso diário de delatores...  Não é à toa que a Independência começou com Joaquim Silvério dos Reis, um delator, fazendeiro falido: devia arrobas de ouro à Coroa Portuguesa e foi vítima da "derrama". Tiradentes, o mais pobre dos inconfidentes, foi então esquartejado e pedaços de seu corpo pendurados em postes para meter medo na população. Virou herói nacional.

Joaquim S. Reis: o mais famoso delator

NOVA DELAÇÃO, SEM PROVAS, INCLUI NORA DE LULA

         O tema vai ferver, seja verdade ou não. Depois de Dilma, só há um alvo: Lula, para constrangê-lo até a não ser de novo o candidato. O alvo é sujar a biografia de Lula, que sobreviveu ao mensalão e se reelegeu. E ainda fez a sucessora. Sobreviverá ao petrolão? A acusação: o delator Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção na Petrobrás, revelou à Procuradoria-Geral da República que entregou em dinheiro vivo "entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão" ao presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ). O valor, segundo Baiano, foi levado ao escritório do peemedebista no Rio, em outubro de 2011. O dinheiro, afirmou o delator, foi entregue a um tal de ‘Altair’. Ele disse que o montante era relativo a uma parcela da propina total de US$ 5 milhões que teria sido destinada a Cunha na contratação de navios sonda pela estatal petrolífera. As informações sobre os detalhes da delação de Fernando Baiano foram divulgadas ontem [dia 15] pelo "Jornal Nacional", da TV Globo.
        
         O delator disse, ainda, que tinha um celular exclusivo para falar "com determinadas pessoas" sobre valores ilícitos, entre elas Eduardo Cunha. Segundo ele, o presidente da Câmara "mandou até e-mail com tabela do que foi pago e do que ainda tinha que ser pago". Baiano disse que o pagamento que beneficiaria a nora de Lula foi feito ao pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do petista, e se referia a negociação envolvendo a OSX, empresa de construção naval de Eike Batista, hoje em recuperação judicial.

         O delator contou que trabalhava para que a OSX participasse de contratos da Sete Brasil, firma formada por sócios privados e pela Petrobras e que administra o aluguel de sondas para o pré-sal. Segundo a reportagem, Baiano disse que pediu ajuda a Bumlai e que, adiante, o próprio Lula "participou de reuniões com o presidente da Sete Brasil para que a OSX fosse chamada para o negócio". A negociação não avançou, mas mesmo assim Bumlai cobrou comissão de R$ 3 milhões, disse Baiano. O dinheiro seria para uma nora de Lula, cujo nome não foi mencionado, pagar uma parcela de um imóvel. Baiano contou que repassou então R$ 2 milhões a Bumlai. Ele não soube dizer se o valor foi entregue a algum parente de Lula. O Instituto Lula diz que petista nunca autorizou Bumlai a pedir dinheiro em nome dele e negou que alguma nora tenha recebido favor de Baiano. Bumlai negou "as mentiras". Baiano disse que vai apresentar provas à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. Vamos aguardar...

 O PROBO E A BRAVA GENTE

            Eduardo Cunha, "O Probo"[como diz um velho amigo], que manda e desmanda na Câmara dos Deputados [e que dali já deveria ter saído] foi beneficiário de desvios do Petrolão e mentiu em uma CPI sobre ter dinheiro fora do país. O terceiro homem da República tem mãos atoladas na lama, mas continua vivo, e trama com a oposição [leia-se Aécio], ávida por derrubar Dilma -- que não é beneficiária direta da mala preta, mas continua politicamente fragilizada e quer sobreviver a eventual tentativa de impedimento. A oposição desesperada busca provas para conseguir passar o rodo na "ilibada" [palavra dela], que pedalou nas contas públicas sob a justificativa de pagar, no ano da sua reeleição, benefícios sociais como Bolsa Família etc... Prova contra Dilma, necas! 

           Rede e PSOL protocolaram pedido para cassar Cunha. Mas "O Probo", que saiu mais enfraquecido com as novas denúncias recheadas de documentos, ainda faz o que quer e eu não escuto panelaços, onde estará "aquela brava gente brasileira"? Onde estão os que gritavam palavrões das varandas de seus apartamentos?

VEJA O ORGANOGRAMA COMPLETO DA OPERAÇÃO LAVA JATO


O PAU VAI COMER... NA PAULISTA

         O Ministério Público de São Paulo criticou a  decisão do prefeito Fernando Haddad de fechar a avenida Paulista para o tráfego de carros aos domingos. 
Em 2007, o órgão e a prefeitura firmaram um Termo de Ajustamento de Conduta que previa que a via poderia ser fechada para carros só três vezes ao ano. O MP acionará a Justiça caso o acordo seja descumprido. Haddad anunciou que o fechamento da Paulista já passa a valer no próximo domingo (18), das 9h às 17h. A Promotoria disse que Haddad usa o argumento de fazer políticas públicas para impor medidas à população. Pesquisa Ibope feita no final de setembro apontou que 2/3 dos paulistanos aprovam usar a Paulista como espaço fixo de lazer aos domingos.

DE CASO PENSADO?

         O que leva um presidente a gravar todos os dias o seu cotidiano palaciano e depois, anos depois, publicá-lo em livro como um diário, sem que o conteúdo valha uma manchete de jornal sequer? Pelo menos até agora, não houve uma manchete dizendo que "O Diário de FHC" tem alguma revelação importante... a que serve então tal publicação?

A ÚLTIMA

        Há um ditado que diz: o malfeito precisa ser muito bem feito. Mais até que o bem feito. 



[se gostou, compartilhe ou dê "share"]

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

PLAYBOY: OUTROS MISTÉRIOS HÃO DE PINTAR...

Revista "Playboy" nos EUA: sem fotos de mulheres nuas.  haverá só sensualidade 

         No mês passado, Cory Jones, um dos principais editores da revista "Playboy", foi visitar seu fundador, Hugh Hefner, na Playboy Mansion. Em uma sala de jantar de paredes revestidas de madeira e decorada com gravuras de Picasso e de Kooning, Jones nervosamente apresentou uma sugestão radical: a de que a revista pioneira na revolução que ajudou a transformar o sexo de algo furtivo em presença ubíqua na vida dos Estados Unidos parasse de publicar imagens de mulheres nuas. Hefner, 89, que ainda consta do expediente como editor-chefe, concordou.

       Como parte de uma reformulação que chegará às bancas em março, a edição em papel de "Playboy" continuará a mostrar mulheres em poses provocantes. Mas elas não estarão mais nuas. Os executivos da revista admitem que ela foi deixada para trás pelas mudanças que ajudou a liderar. "Aquela batalha foi travada e vencida", diz Scott Flanders, o presidente-executivo da companhia. "Agora, as pessoas estão a um clique de qualquer ato sexual concebível, e de graça. Ou seja, a coisa se tornou obsoleta, a esta altura".

         Para uma geração de homens dos Estados Unidos, ler "Playboy" era um rito cultural, um prazer ilícito consumado à luz de lanternas. Agora, todo adolescente tem um celular dotado de conexão à Internet. Revistas pornográficas, mesmo as estabelecidas como "Playboy", perderam seu valor de choque, seu valor comercial e sua relevância cultural.

         A circulação de "Playboy" caiu de 5,6 milhões de exemplares em 1975 para cerca de 800 mil agora, de acordo com a Aliança de Mídia Auditada. Muitas das revistas que surgiram inspiradas por ela já desapareceram. Ainda que números detalhados sobre publicações adultas não estejam disponíveis, muitas das que restaram persistem em forma severamente diminuída, e são vendidas apenas em lojas especializadas. a "Penthouse", talvez a mais famosa rival da "Playboy", respondeu à ameaça da pornografia digital publicando material mais e mais explícito. E nunca conseguiu se recuperar.
       
         Esforços anteriores de reformulação da "Playboy", o mais recente dos quais realizado há três anos, não pegaram. E aqueles que acusam a revista de explorar mulheres dificilmente se deixarão dissuadir por uma reforma modesta. Mas, de acordo com pesquisas da revista, o logotipo da "Playboy" é um dos mais reconhecíveis do planeta, em companhia dos logotipos da Apple e Nike.
Desta vez, enquanto a revista busca concorrer com veículos novos como a Vice, diz Flanders, ela tentará responder a uma pergunta crucial: "Sem a nudez, o que resta?" É difícil, em um mercado de mídia que foi tão fragmentado pela internet, imaginar as dimensões da influência da "Playboy" em seu pico.

          Um juiz decidiu, em um caso famoso, que negar uma versão da revista em Braille aos deficientes visuais representava violação dos direitos de que eles desfrutam sob a primeira emenda à constituição dos Estados Unidos (que garante a liberdade de expressão). A revista publicou contos de escritores como Margaret Atwood e Haruki Murakami, entre outros, e seus entrevistados incluíram Malcom X, Vladimir Nabokov, Martin Luther King e Jimmy Carter, que admitiu durante a conversa que sentia desejo, em seu coração, por outras mulheres que não sua cônjuge. Madonna, Sharon Stone e Naomi Campbell apareceram na revista quando estavam no auge da fama. Sua edição de maior sucesso, a de setembro de 1972, vendeu sete milhões de cópias. Mesmo as pessoas que desgostavam da revista lhe dedicavam atenção —a líder feminista Gloria Steinem se infiltrou em uma das casas noturnas de Hefner, inspiradas pela revista, disfarçada como garçonete, para escrever um artigo de denúncia.

           Quando Hefner criou a "Playboy", que trazia Marilyn Monroe na capa de sua primeira edição, em 1953, ele o fez para satisfazer a si mesmo. "Se você é homem e tem entre 8 e 80 anos, 'Playboy' é para você", ele declarou em sua primeira carta aos leitores. "Gostamos de preparar coquetéis, um petisco ou dois, de colocar música bacana na eletrola, e de convidar uma conhecida qualquer para discutir intimamente sobre Picasso, Nietzsche, jazz, sexo..." Ele não colocou uma data na capa da primeira edição, porque "Playboy" talvez não chegasse a uma segunda.

             Hefner "simplesmente revolucionou a direção em que vivemos, nossos estilos de vida, e o tipo de sexo que as pessoas fazem nos Estados Unidos", disse Dian Hanson, autora de uma história em seis volumes das revistas masculinas, e editora da Taschen. "Mas se a nudez for tirada da revista, o que restará?" A mais recente reformulação, 62 anos depois do lançamento, é mais pragmática. A revista já havia tornado parte de seu conteúdo seguro para leitura no trabalho, disse Flanders, a fim de ser admitida em plataformas de mídia social como Facebook, Instagram e Twitter, fontes vitais de tráfego na internet.
              
              Em agosto do ano passado, o site da revista deixou de publicar fotos de nudez. Como resultado, executivos da revista afirmam que a idade média dos visitantes caiu de 47 anos para pouco mais de 30, e seu tráfego saltou de quatro milhões para quase 16 milhões de visitantes únicos por mês. A revista também adotará estilo mais enxuto e moderno, disse Jones, que como vice-presidente de conteúdo responde pelo site. Continuará a haver uma coelhinha do mês, mas as fotos terão classificação PG-13 (adequadas para menores a partir dos 13 anos, sob orientação de seus responsáveis), e serão menos produzidas —se assemelharão mais às seções provocantes do Instagram. "Um pouco mais acessível, um pouco mais íntima", ele disse. Ainda não está decidido se a revista continuará a publicar um pôster dobrável em suas páginas centrais. A colunista sobre sexo, diz Jones, "será uma mulher com visão positiva sobre o sexo", escrevendo entusiasticamente sobre o tema. E "Playboy" manterá sua tradição de jornalismo investigativo, entrevistas longas e publicação de literatura. A audiência alvo, segundo Flanders, serão os homens jovens e urbanos. "A diferença entre nós e a Vice", ele disse, "é que nosso público alvo são homens empregados".

               Algumas das mudanças, como a expansão da cobertura sobre bebidas alcoólicas, são em parte comerciais, admitiu Flanders: a revista precisa satisfazer seus principais anunciantes. E todas as mudanças foram testadas por meio de grupos de foco, com o objetivo de atrair a geração milênio —as pessoas com idades entre os 18 e os 30 anos, muito cobiçadas pelas editoras. A revista vai destacar o trabalho de artistas visuais, com obras espalhadas por suas páginas, em parte porque pesquisas revelaram que a arte atrai leitores mais jovens.
  
               Hoje, a maior parte do faturamento da companhia vem de licenciar seu conhecido logotipo para uso em todo o mundo —40% de seus negócios provêm da China, mesmo que a revista não circule no país—, em produtos de banho, perfumes, roupas, bebidas e bijuterias, entre outras mercadorias. A nudez na revista trazia risco de queixa pelos consumidores e de redução em sua distribuição.

              A "Playboy", que abriu seu capital em 1971, em 2011 voltou a ser uma companhia de capital fechado, em uma transação comandada por Hefner e pela Rizvi Traverse Management, companhia de investimento fundada por Suhail Rizvi, um investidor avesso a publicidade do Vale do Silício, que tem participação no Twitter, Square, Snapchat e outros serviços.
               
               A empresa dele agora detém mais de 60% da "Playboy", enquanto Hefner controla cerca de 30% (executivos da empresa também são acionistas). A revista está no azul, se computados os pagamentos feitos por suas edições licenciadas em todo o mundo, disse Flanders, mas a edição norte-americana perde cerca de US$ 3 milhões ao ano. Flanders diz que a vê como despesa de marketing. "É como ter uma grande loja na Quinta Avenida em Manhattan", ele afirma.Flanders e Jones consideram que a revista se mantém relevante, especialmente porque o mundo gradualmente adotou as posições libertárias de Hefner sobre uma série de questões sociais. Perguntado se as opiniões de Hefner sobre as mulheres eram exceção a essa regra, Flanders respondeu que Hefner "sempre celebrou a beleza da figura feminina". "Não tenha dúvida", disse Jones sobre a decisão de abandonar a nudez, "que o meu eu de 12 anos de idade está muito zangado com o meu eu adulto. Mas é a coisa certa a fazer".

Edição brasileira

           O diretor de redação da "Playboy" brasileira, Sérgio Xavier, afirma não saber ainda como vai ser o processo nos EUA e que não houve comunicado aos parceiros. "A 'Playboy' tem a tradição de respeitar muito os mercados locais, deixar que cada país decida o que é melhor e como fazer", diz. De acordo com Xavier, a "Playboy", mais do que uma "revista de nu", é uma publicação que discute o comportamento masculino. "Fala de moda, bebidas, viagens e tem nas entrevistas longas e profundas uma marca importante. Sempre discutiu direitos civis, racismo, liberdade. Isso não mudou nem mudará. A questão do nu, porém, precisa ser pensada de forma melhor."

Fonte: "The New York Times"           

CONCLUSÃO: A nudez está tão banalizada, que não vende mais revista. Em vez de apostar na pelagem de mulheres nuas, a Playvboy  irá vesti-las ou pelo menos não publicar fotos explícitas... O novo negócio é dar asas à imaginação, é o conteúdo  para o mundo masculino com imagens da sensualidade feminina. Veja só, sem nudez, a Playboy na internet passou de 4 milhões de visitantes únicos para 16 milhões. Já a versão impressa fez o caminho inverso: com mulheres peladas passou de 5 milhões para 800 mil leitores. 


[se gostou, compartilhe ou dê "share"]

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O RESUMO DA ÓPERA - SEMPRE ÀS QUINTAS

UMA LEITURA SEMANAL DOS JORNAIS - N2 - 08.10.2015

POR GEORGE ALONSO

A Rede de Marina já foi oficialmente registrada: candidata natural a ir ao segundo turno em 2018


Dilma e o inferno astral

E a pressão continua. Dilma  achava que, depois "de quase entrar" para o PMDB, cedendo as principais pastas às raposas, àvidas por controlar o grosso do dinheiro federal, ia ter sossego. Até chegou a dizer que todos tinham muito trabalho a fazer até 2018. Otimista, estava na posse dos novos ministros. Parece que o tiro saiu pela culatra. Esse é o problema de um governo fragilizado, com baixa popularidade e uma presidente sem qualquer carisma. Virou refém de saqueadores do Estado. É o que virou o PMDB e seus infindáveis grupelhos de ataque ao orçamento público -- e que atuaram nos governos FHC e Lula. Mais uma vez Dilma "ganhou perdendo" [ganhou fôlego se apequenando] e "perdeu ganhando" [dando espaço ao cancro da política nacional, o PMDB, em troca de uma estabilidade temporária ou fictícia]. Se acha que chega a 2018, terá ainda pela frente dois tribunais. Nos dois, se a decisão for política, Dilma saíra do Planalto como nunca imaginara: "pela rampa dos fundos". No Tribunal Superior Eleitoral: se houver revisão de uma decisão do próprio TSE que aprovou a prestação das contas da campanha de Dilma no pleito de 2014. Outra, no Tribunal de Contas da União, que condenou as pedaladas fiscais do atual governo, usadas para pagar programas sociais. Mas elas são diferentes daquelas dadas por Fernando Henrique Cardoso, quando precisou salvar bancos? Creio que não, por isso a tentativa de um terceiro turno ainda está em curso. De qualquer modo é preciso, em algum momento, dar um fim às pedaladas. 

Dilma e o pau-mandado

O "Mr. Pau-mandado" virou ministro da Ciência e Tecnologia. Ele vai representar no governo um saqueador contumaz, segundo dados fornecidos pela Suíça. "Filhote" de Eduardo Cunha, o deputado Celso Pansera saiu do anonimato ao ser acusado de retaliar o doleiro Alberto Youssef, que entregou à Justiça os quadrilheiros do petrolão. "Estou sendo intimidado na CPI da Petrobras por um deputado pau-mandado do senhor Eduardo Cunha", bradou o delator. O apelido "pau-mandado" pegou. Ele foi dirigente da UNE, passou pelo PT e migrou para PSTU. Depois, camaleão, trocou o trotskismo pelo cunhismo: assim deslanchou em 2014, virou deputado pelo PMDB. Até julho, dividia sua vida entre a política e a administração de um restaurante na Baixada Fluminense. O nome do restaurante é sugestivo: "Barganha". Disso o "Mr. Pau-mandado" e o seu criador têm mesmo ciência e tecnologia.

Nunca foi tão fácil

Em 2018, Marina Silva terá a sua grande chance. Vai poder desfiar o discurso da ética e ser a grande beneficiada dele -- PT e PSDB, que governaram o país durante mais de 16 anos, têm, como se diz na vida, "o bumbum descoberto" e as mãos sujas, quando se fala do assunto. Fora o desgaste natural de terem sido governo. Quem será o candidato do PT: mistério puro. Será que Lula, que já fez história, teria gás para colocar sua cabeça a prêmio. Já Alckmin, Serra e Aécio são conhecidos e foram derrotados nas urnas. Marina, ex-governo Lula e ex-ministra do Meio Ambiente, deixou do governo petista atirando contra justamente quem: Dilma, acusada de querer "derrubar a floresta". De ser contra a sustentabilidade, um dos pilares da nova política econômica moderna. Um dos pilares da campanha marineira.

Marina tem a vantagem de conseguir aglomerar parte do petismo envergonhado pela corrupção de parte seus quadros e parte do eleitorado tucano, cansado do "mais do mesmo". O problema é o que vai oferecer na política econômica. Que quadro iria herdar. A Rede, seu partido, tem nomes suficientes para governar? De novo falará em "coalizão dos melhores"? Será que o Brasil aguenta nova coalizão, e quem seriam os melhores? Melhor é garantia de boa gestão? O discurso da união nacional em um país "cindido", palavras dela, soa bem eleitoralmente, mas vai funcionar na prática, caso ela seja o único nome novo até lá?

O fato de ter carisma, de vir do povo, de ser um "Lula de saias" é bom e ruim. Bom, porque está ligada do ribeirinho do Acre ao operário do ABC. Mas ruim porque "uma Silva" que já foi ironizada por sua "neolinguagem" adjetivada, que pode reacender preconceitos. E não só dos que criticam os evangélicos. Marina não se deu muito bem quando pressionada. Reagiu de forma nervosa, demonstrou desconforto. De qualquer forma, nunca foi tão fácil ir a um segundo turno e vencer. Caiu na rede, agora é Marina, pelo menos por enquanto.

Empreiteiros corruptos: há os pró e os contra

"Dá nojo em pensar que somos governados por este poste!"
Anuar Caram, presidente de negócios públicos da Andrade Gutierrez
 "Fora, sapa com cara do Satanás"
Ricardo Sá, presidente da área de clientes privados da empreiteira
 "Minha cela, minha vida"
Clorivaldo Bisinoto, presidente da Andrade Gutierrez Construção, em mensagem com fotomontagem em que Dilma e Lula aparecem atrás das grades

Mensagens de texto trocadas por executivos da Andrade Gutierrez, investigados na Operação Lava Jato, mostram [acima] a torcida dos empresários pela vitória de Aécio nas eleições presidenciais do ano passado. As mensagens forma trocadas durante debate na TV Globo, em um grupo formado no Whatsapp. A postura é contrária à de diretores da construtora OAS que, conforme a Folha mostrou em julho, torceram efusivamente pela reeleição de Dilma. Durante a apuração dos votos, a vitória de Dilma levou os diretores ao lamento. "A vida vai ser dura...", comenta um dos presos  na Lava Jato. Outros executivos tentaram animar os demais. "Vamos em frente, a vida continua! Apesar dos desafios externos, estamos juntos no nosso projeto de termos uma AG [Andrade Gutierrez], de um futuro próximo muito bacana!", escreveu Sá.

Conclusão: Tudo gente fina. Quadrilheiros em lamúrias. Gente convincente e preocupada com o país, verdadeiros patriotas. Só falta a trilha sonora dos "Assaltimbancos" [públicos]: “Todos juntos somos fortes, estamos todos no mesmo barco e não há nada a temer”.

Respire fundo

Desde às 13h da segunda-feira (5), a opção "utilizar créditos" no portal da Nota Fiscal Paulista ficou indisponível. O governo estadual informou que o serviço será restabelecido "em breve". Segundo o governo, a interrupção do serviço ocorre ao menos duas vezes ao ano, sendo necessária para o processamento de dados, e não causa impacto nos valores acumulados pelo usuário. O programa devolve até 20% do ICMS recolhido pelo estabelecimento. É  um incentivo para que o consumidor exija a nota fiscal ao fazer compras. Ao informar seu CPF ou CNPJ, no momento da compra, o cliente pode escolher como receber os créditos e ainda concorrer a prêmios em dinheiro. Opa, mas a neopedalada tucana, pode?  

[se gostou, compartilhe ou dê "share"]

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

DENGUE, 403 MORTES NA BATALHA PAULISTA*

Pixação em muro de São Paulo revela revolta contra a imprudência de parte da população e o descaso dos governos


        São Paulo, além de campeão de casos de dengue, é o Estado com o maior número de mortes pela epidemia: 403 pessoas [58% dos 693 óbitos em todo o pais, só nos primeiros oito meses do ano], O dado consta do novo boletim divulgado pelo Ministério da Saúde.  Entre janeiro e agosto, a região Sudeste concentrou 68,5% das mortes, Outros Estados com número expressivo de óbitos são Goiás (67), Ceará (50) e Minas Gerais (47). Apenas Acre, Roraima, Sergipe e Santa Catarina não registraram mortes. O número de mortos pela dengue no país é 70% maior do que o registrado no mesmo período de 2014. Os dados colocam 2015 como o ano recordista em óbitos decorrentes da dengue desde 1990. O recorde anterior era de 2013, com 674 mortes.

      Desde a descentralização pelo Estado do combate e da prevenção, cabendo aos municípios essas tarefas, a dengue cresceu [leia mais no link abaixo]. E com receio que o quadro piore com a chegada do verão, como ocorreu neste ano, várias cidades do interior paulista estão antecipando as ações de combate ao mosquito transmissor da doença e a Sucen (Superintendência de Controle de Endemias), do governo estadual, contratou desta vez 500 agentes que podem atuar em qualquer lugar que registre alta incidência da doença.
     
      Catanduva, uma das recordistas em casos, criou "força tática" para eliminar o Aedes aegypti em áreas públicas e em casas fechadas. Ações de combate foram antecipadas ou não sofreram interrupção em Campinas, Rio Claro e São José dos Campos, que também estão no ranking das cidades com maior transmissão da doença. Com previsão de um mês de outubro mais chuvoso que a média em certas regiões, cidades líderes na infestação apostam em políticas variadas. Em São José dos Campos, a prefeitura lançará a campanha contra a dengue nos próximos dias – em vez de deixar para dezembro – e usará um drone para monitorar áreas onde os agentes não conseguem chegar. O equipamento já foi usado neste ano, mas terá a utilização ampliada. Outras ações incluem multas para quem impedir a entrada de agentes nos imóveis.
  
      Já em Campinas, cidade no topo do ranking de casos, a prefeitura elaborou pela primeira vez um plano de contingência. "Tivemos um ano avassalador, um tsunami sobre todo o Estado, e temos um cenário preocupante para 2016. É muito melhor cuidar de pequenos incêndios, que são os casos que têm surgido agora, do que de um incêndio enorme", disse Carmino Antonio de Souza, secretário da Saúde.

     As 15 cidades com mais casos da doença somam 303.556 confirmações autóctones (contraídas no próprio município), ou 51% dos 595.637 registros do Estado neste ano. Embora com apenas 2.077 casos, São Carlos também já faz ações preventivas. Campo Limpo Paulista, com 344 casos, estuda voltar a recorrer ao Exército.

     Se o excesso de chuva contribui para o mosquito se procriar, a seca pode levar ao armazenamento inadequado de água. Por isso, em Sumaré e em Marília a aposta é na distribuição de telas para proteger caixas-d'água e reservatórios sem tampa. Sete das prefeituras relataram o armazenamento inadequado como um dos motivos para a epidemia de 2015: São Paulo, Guarulhos, São José dos Campos, Americana, Rio Claro, Sorocaba e Marília.

     O prefeito paulistano, Fernando Haddad, sancionou lei que autoriza o ingresso forçado de agentes de combate à dengue em imóveis particulares. Segundo o texto, publicado no "Diário Oficial" do último sábado (dia 3), essa medida extrema será tomada em caso de recusa ou ausência de pessoa que possa permitir a entrada do agente na casa. O projeto, aprovado pela Câmara Municipal, é vago ao prever as situações em que o ingresso forçado será usado. Diz apenas que a medida será adotada quando "se mostrar fundamental para a contenção da doença" e observados "os princípios da proporcionalidade, razoabilidade e legalidade". A prefeitura diz que irá regulamentar a lei para deixar mais claras essas situações.
[Fontes: Agência Brasil e Folha] 

LEIA MAIS SOBRE A DENGUE 

[se gostou, compartilhe ou dê "share"]